terça-feira, 29 de julho de 2008

Camara

Como se nao bastasse nao possuir qualquer lembranca fotografica dos dois meses na Argentina eis que a minha fantastica camara, com nem tres meses ainda, avariou e nao poderei tirar fotos das ultimas duas semanas na Australia.
Presumo que seja um sinal.
Mas qual?

Gold Coast

A zona mais desenvolvida do pais, com a cidade de Surfers Paradise a ser considerada a capital das festas para backpackers do pais e dominada por um incrivel conjunto de gigantescos edificios entre o rio e o mar.
Ao ve-la desde Coolangata, imagino que seja assim Manhattan, a pequena ilha nova iorquina que possui o mesmo conceito arquitectonico de tocar o ceu.
A diferenca e que por aqui nao existe falta de espaco.
Coolangatta, a 40 km de Surfers, e mais agradavel e relaxada, talvez por ser local de residencias de milhares de reformados.
Visitei esta zona por uma unica razao.
A cultura praia\surf australiana.
Estas praias da Gold Coast possuem das ondas mais perfeitas para a pratica de Surf do mundo. Kirra, Snapper Rocks, etc....
Aguas quentes de cor turquesa e ondas que quebram em abundancia em sequencias perfeitas como que sincronizadas por alguem.
Como gostava de dominar a pratica deste desporto icone australiano, praticado por pais e filhos, as vezes ao mesmo tempo e na mesma prancha, jovens rebeldes, outros a tentarem-no ser, outras apenas a parecerem-no ser, individuos que faltam a compromissos profissionais e pessoais e, reformados ainda com capacidade fisica para poderem disfrutar da uniao com o mar.
Aqui esta um desporto aberto a todas as idades, a ambos os sexos e, talvez, a todos os niveis de rendimento.

Brisbane

A capital do estado de Queensland e a terceira maior cidade do pais e tenta rivalizar culturalmente com Sydney e Melbourne.
Dividida ao meio pelo rio Brisbane, na margem sul situa-se um fantastico espaco cultural com museus, centros de artes, jardins e espacos para observar pessoas nas suas actividades diarias, Brisbane tanto podia ser australiana como neozelandesa como inglesa.
E uma cidade agradavel e visita-se com prazer, ainda mais em semana do seu festival de musica do mundo.
Detesto cidades, era incapaz de viver numa, mas adoro e fascinam-me os centros destas cidades anglo-saxonicas, com os seus arranha-ceus iluminados por dezenas de luzinhas espalhadas por dezenas de andares ocupados por dezenas de incognitos atarefados com dezenas de projectos a exigirem niveis intelectuais superiores ao meu.
Fascinam-me a desindividualizacao, o isolamento, a solidao e a busca de compensacoes materiais dos habitantes destes espacos modernos.
Fascinam e aterrorizam-me.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Noosa

Pelos vistos e a Nice australiana, e, mesmo com pessoas a mais, nao deixa de ter um ambiente tranquilo e classe, muita classe.
Bem planeada e completamente envolvida por florestas e um parque natural, possui belissimas e caras casas, algumas com fantasticas vistas para a praia e para as baias e outras a palmos do rio, sem crocodilos e banhavel, que atravessa o seu centro.
E uma mistura de vila tropical e resort de verao.
E, proporcionou-me a maravilhosa, se inesperada, alegria de ver um koala selvagem a alimentar-se, com o filhote bem agarrado ao seu corpo, enquanto sentado num fragil ramo no topo de uma arvore.
Como Noosa e tambem uma das capitais de surf do pais, e obvio que la apanhei uma ou duas ondas.
Zinhas

Agnes Water

Uma vila costeira com uma bela praia, paixao suicida de dezenas de pequenas alforrecas transparentes, e que permite uma fuga a confusao e excesso de viajantes, pseudo ou nao, do resto da costa este.
A vila tambem permite acesso ao extremo sul da Grande Barreira de Corais, a unica entidade viva visivel do espaco.
Nao resisto e esbanjo dinheiro numa visita a Lady Musgrave Island, situada na tal Barreira.
Nao resisto porque vejo fotos.
Nao resisto porque e a ultima oportunidade de ver esta maravilha da Natureza.
Durante a hora e meia de viagem em alto mar, uma baleia corcunda decidiu mostrar a sua imponencia e amplificar a nossa insignificancia em grandiosos saltos acrobaticos.
Maravilhosa experiencia a exigir repeticao.
Que dizer da Grande Barreira de Corais?
Quaisquer palavras sao palavras a mais.
Vejam fotos.
Comprem um bilhete de aviao e o imediato bilhete de barco.
Aguas transparentes e quentes, corais e peixes de diversas cores, feitios e tamanhos.
A oportunidade de fazer snorkelling esta incluida na visita e podemos maravilhar-nos com a excitante vida aquatica.
Se o inicio foi complicado e assustador, respirar pela boca e por um tubo induz uma sensacao de panico, o que dizer do periodo pos-habituacao?
Uma das mais fantasticas experiencias por mim vividas.
Tirar as barbatanas e nadar, nadar, nadar, segundos, minutos, horas, dias, meses, anos....., envolvido por estranhos, curiosos e coloridos peixinhos, sem necessidade de parar para respirar, proporciona uma liberdade indescritivel e uma inquebravel paz interior.
Esqueces-te a que especie pertences e quando tal percepcao regressa, odeias quem te fez Humano e nao um simples peixe ou uma simples ave.

Great Keppel Island

Pensava eu que iria ter uns belos dias numa pequena ilha Whitsunday Style e contudo,
mal o barco pousa a ancora, um diluvio abate-se sobre a ilha.
Mal o dono do suposto local onde iria pernoitar abre a boca, descubro que ja nao ha precos acessiveis a viajantes em missao solitaria e o tal dono exige-me precos para casais porque, no fim de contas, nao tinha outra solucao.
Tinha.
Regressar ao continente.
Regresso entao e convivo com um simpatico casal de reformados que foi uma vez a Portugal.
Ao menos desta vez nao ouco o tradicional "Nunca fui a Portugal. Ja fui a Espanha mas nunca a Portugal. Mas gostaria"....
Eu tambem.

Airlie Beach

Ponto de acesso as famosas Whitsunday Islands, com as suas praias de areias brancas e aguas transparentes, e completamente inundada de backpackers.
Ja me tinham avisado que a costa este da Australia e uma residencial para estes jovens viajantes em fuga de responsabilidades, mas, com o pouco tempo que disponho, decidi "despachar" ja esta zona e deixar a verdadeira Aussie Land para daqui a uns anos.
Por aqui, abundam actividades, pensava eu que reservadas para reformados turistas a aproveitar os ultimos anos de vida, mas que estao completamente viradas para o segmento jovem.
Cruzeiros para backpackers, resorts para backpackers, excursoes para backpackers......
90% destes viajantes veem dos paises ricos tradicionais:
UK,USA,Alemanha e Japao.
Como nos seus paises e facil ganhar muito dinheiro muito rapidamente, e obvio que o gastam indiscriminadamente.
Como no meu ja nao e assim, nao partilho deste desvario colectivo e parto em busca de experiencias semelhantes mas com melhor valor monetario.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Magnetic Island

Uma ilha pequena, a uma distancia de vinte minutos de ferry de Townsville, com varias baias pequenas, lindas e com as aguas mais quentes jamais banhadas por mim.
Contudo, a panoplia de estranhos animais, pequenos ou grandes, perigosos ou nao, que habitam estas aguas obrigam a rapidos mergulhos e saidas precoces.
Considerada como um dos ultimos habitats naturais dos koalas, um dos meus sonhos, a verdade e que nao vi nenhum, mesmo percorrendo os seus bosques.
E nao vi nenhum porque?
Porque a descoberta de avisos da existencia de cobras MUITO venenosas, reparem no muito, obrigaram-me a andar com os olhos e ouvidos 200% atentos ao solo e 0% atentos ao topo das arvores.
Nao vi nem tais horrorificas cobras nem os maravilhosos fofinhos koalas.
O que vi entao?
Papagaios ultra-coloridos, catatuas brancas, enormes corvos, enormes morcegos da fruta, possuns com filhotes bem agarrados ao corpo materno, curiosos rock wallabies aos saltos, estranhos passaros nocturnos de enormes e fininhas pernas que nao andam e sim correm, e estranhas criaturas aquaticas cujo nome nao sei e nem quero saber...

Cairns

Australia, a terra dos animais estranhos, nunca exerceu grande fascinio sobre a minha pessoa, se exceptuarmos as longas estradas isoladas do Outback exemplificadas na trilogia Mad Max, mas, como tinha kms de voo para gastar, pensei, hmmm, porque nao?
Cairns e uma cidade horrivel, com enormes edificios a beira mar, e em altura de temporada alta (e Inverno aqui mas e uma zona tropical portanto...) logo recheada de jovens, e menos jovens, a procura de sol, sexo e alcool.
Como nas suas praias existem crocodilos de agua salgada?!!!!, criaram uma enorme piscina/lagoa para baixar um bocado a temperatura dos corpos.
Contudo, a cidade tambem serve de base para se visitar as florestas tropicais da regiao, que apenas terminam onde comeca o mar.
Nestas florestas o meu corpo apanha uma overdose de ar puro, e, nao habituado a tanta virginalidade, combate arduamente o processamento desta droga pura, sufocando-me de quando em vez.
Era uma morte original por estas bandas.
O crocodilo chega dizendo "ola pa".
A aranha chamando-me "anda ca".
A cobra prendendo-me o pe.
E o tubarao murmurando "diz adeus Andre".
Proximo de Cairns existe uma pequena vila, actualmente ja longe dos principios hippies da sua criacao, perdida no meio da floresta tropical, Kuranda, que pode ser acedida atraves de uma sinuosa estrada, uma fantastica viagem de comboio (que mantem as carruagens originais) ou ainda atraves de uma viagem de gondola sobre a cupula da floresta.
A meio da viagem de gondola so se ouve o estranho canto de estranhos passaros, ras e o que mais houver escondido debaixo daquelas folhas verdes, as vezes amarelas, as vezes vermelhas.
Subir uma montanha ate ao topo e, nesse momento, ver surgir uma enorme area florestal encoberta por um nevoeiro etereal que nos vai sugando pouco a pouco, provoca um longo calafrio e o eterno medo/panico do desconhecido revela-se em toda a sua gloria.
Mas ohhh, ohhhh, naooo, a gondola e imparavel e a unica fuga possivel seria se abracasse uma vida passarial e, como tal, tentasse voar.
Kuranda e apenas uma vilinha com mercados artesanais diarios e mesmo se existe unicamente para essa funcao, logo visitada por milhares de turistas em viagens de pacote a procura de souvenirs dos "exoticos" aborigenes, ainda conserva um ambiente romantico, tranquilo, vagaroso, uma existencia de outro mundo, conservada pela distancia e pela densa floresta.
Antes desta viagem, a selva tropical nao me seduzia nada. Imaginava animais estranhos e perigosos, humidade sufocante, chuvas torrenciais, rios castanhos, etc....
Agora,depois de Tigre na Argentina e esta floresta tropical, estou apaixonado por este ritmo de vida convidativo a exigentes horarios de nada fazer e pelos maravilhosos cheiros e sons da floresta.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

E o fim

Como se despede de um sonho?
Nunca me falem neste pais senao as lagrimas virao abundantemente aos meus, belos, olhos.
Dois meses depois, Auckland esta igual.
Eu nao.
Amanha Cairns, Australia.

Raglan

Alguem, alguma vez, viu um filme chamado Endless Summer?
Se sim, conhece Raglan, se nao, perde uma vilazinha muito agradavel perto, pertissimo de uma das melhores ondas para a pratica de surf do planeta.
E uma onda gigantesca, nunca vi uma onda com uma largura tao grande.
Nao vejo imagem mais romantica do que um ser humano sentado numa tabua, sozinho no mar, com o olhar perdido em direccao ao horizonte, a espera de, ou a sonhar com, algo.
Adicionem-lhe o por do sol e o som das ondas e temos a definicao de romantismo perante o nosso olhar.