domingo, 18 de maio de 2008

Abel Tasman Track

Depois de ter perdido o mini-autocarro que me levaria ate a regiao Nelsons Lakes, decidi a ultima hora percorrer a Abel Tasman Coastal Track, uma das dez Grandes Caminhadas da Nova Zelandia, no parque nacional Abel Tasman, situado a cerca de 200 km a oeste de Picton.
Esta regiao e a que recebe mais horas de sol do pais e a um mes do Inverno ando descontraidamente de t-shirt :).
A caminhada dura entre 2 a 5 dias e tanto percorre florestas cerradas como tambem praias desertas em idilicas baias de aguas turquesa.
Durante o trajecto e necessario ter em conta o horario das mares baixas de forma a poder passar duas baias.
Que maravilha percorrer essas duas baias a pe.
Tirar as botas e as meias, puxar as calcas para cima, passar algumas lagoas, parar a meio, olhar para a grandiosidade em redor e entao pensar no que fiz para merecer tamanho privilegio.
A primeira cabana, Awaroa Hut, esta a minha frente, nao tem electricidade nem meios para cozinhar, a agua nao e potavel, um exercito de mosquitos da areia suga-me o precioso sangue, nao se ve uma unica nuvem no ceu, o unico ruido e provocado pelo canto dos passaros e o percorrer da agua, o sol poe-se atras de enormes colinas, um leve aroma a floresta percorre-me as vias nasais e, nem o facto de passar a noite a cerca de 30 km da vila mais proxima com sete jovens senhoras, me retira a tranquilidade e paz.
Coloco o chapeu a Huckleberry Finn, deito-me na areia junto ao mar e deixo o silencio da noite sussurar-me a sua cancao de embalar.
O segundo dia esperava 20km de caminhada, por isso ecoava apreensao no ar mas, embora ao inicio da noite mal pudesse andar, correu tudo bem.
Esta parte do percurso, entre Awaroa e Anchorage e a mais bonita e espectacular do percurso.
Embrenho-me em florestas cerradas onde reina o silencio absoluto e uma escuridao intimidante e imagino-me a fugir, numa daquelas selvas tropicais colombianas, de um grupo de desdentados, tatuados e extremamente enervados narco-traficantes em busca de uma esmeralda perdida que, de certeza, nao encontrarao em mim.
Enquanto, passo por piscinas naturais ao som de simpaticos passaros, vislumbro rios entre lianas e cogumelos, respiro aquele suave aroma a floresta humida, atravesso pontes moveis a Indiana Jones, e ouco vozes a aproximarem-se uns metros atras, penso mesmo nesta hipotese e acelero entao o passo.
Acelero, ate me deparar com uma praia de areias finas e suaves, aguas turquesas e com vista para belas ilhas inabitadas e penso entao que, afinal, a esmeralda procurada era apenas esta praia paradisiaca que tenho so para mim.
Esta combinacao floresta negra/ paradisiacas praias ocorre imensas vezes e cada praia e mais recondita que a anterior, sendo varias delas apenas acessiveis por barco ou kayak.
A segunda noite e passada numa cabana a dez metros de uma praia assim, na baia de Anchorage, e deitado na areia, debaixo de uma lua quase cheia que tudo ilumina, adormeco, mais uma vez, embalado pelas cantigas da PachaMama ou Mae Natureza.
O terceiro dia, so exigia os dez km finais, logo, foi preenchido com banhos de sol, ja que os da agua nao sao recomendados para constipados em recuperacao, devido a baixa temperatura da agua.
Ao fim do dia, enquanto o autocarro, de regresso a civilizacao, percorre bosques amarelos e vermelhos e o ceu mais parece um arco-iris, concluo que, estes 3 dias foram um dos maiores feitos da minha vida.

1 comentário:

Anónimo disse...

porra que inveja!
abraço