quinta-feira, 1 de maio de 2008

A estrada

Que nos leva de Mendoza para o Chile é uma estrada formidável e que permitiu esquecer o que seria uma normal ameaça de bomba, no terminal de bus, senao tivessem encontrado mesmo uma e também esquecer mais um dia passado em Mendoza.
A estrada vai percorrendo a planície pré-andina enquanto vislumbra o início exuberante da cordilheira.
Entre as montanhas, o Homem encontrou um caminho de ligaçao ao Oceano por um enorme vale, com um rio de àguas acastanhadas a percorrer-lhe pelo centro.
Se o ínicio é extraordinário que qualificaçoes evocar à medida que nos embrenhamos nos andes?
Após um nevao é um lugar mágico e intenso.
Após a Quebrada de Humahuaca pensava que tinha sentido o máximo de pequenez possível, mas, nas últimas horas em solo argentino, o que me envolve é a sensaçao de inexistência em absoluto.
Montanhas e vales cobertos por um enorme manto de neve que tornava difícil o correcto uso da visao tal a quantidade de luz.
A minha mae designa de "putos mimados sem nada para fazer" e inconscientes, aqueles que tentam subir montanhas acima até ao extremo superior.
Enquanto vislumbro, do seguro assento do autocarro, os picos nevados centenas de metros acima, chamo de "putos mimados com demasiado para fazer" e insensíveis, aqueles que perante a grandiosidade, nao se deixam encantar e nao a tentam alcançar.
O posto fronteiriço, ultrapassado após uma longuíssima espera tal era a quantidade de coches,bus e camiones ansiosos por evitar outro nevao que aí vinha, está completamente perdido no meio dos Andes e, presumo, deve ser o posto com maior quantidade de poetas por metro quadrado do mundo, tal a visao que se lhes depara desde que abrem as cortinas de manha até ao momento em que trancam as portas à noite.
Los Libertadores.

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