terça-feira, 15 de abril de 2008

Ruta 40

Centenas, milhares?, de kms de paisagem patagónica percorrida em estrada de gravilha, paralela aos Andes.
Uns cantam-lhe a liberdade e tempos idos, eu temo-lhe os bilioes de piedras malas e conduçao desenfreada dos condutores.
Pouco a pouco vai sendo asfaltada de forma a tornar-se uma via a ter em conta e em 13 horas de viagem apenas duas dezenas de carros foram efusivamente saudados.
Perdida no meio do nada, uma aldeia com um aspecto curioso:
uma oficina de reparaçoes intitulada El Português.
Por apenas ter reparado na oficina jà a bordo do bus, nao poderei dizer se o nome se refere à nacionalidade do dono mas que um português tenha escolhido uma aldeia com uma dezena de casas no meio do nada no sul da Argentina é de surpreender pela total falta de possibilidades, visíveis, da eterna necessidade de socializaçao característica do nosso povo.
De vez em quando passa-se por vilas nao indicadas nos famosos guias de viagem que a cultura anglo-saxónica avidamente consome e que eu agora questiono porquê.
Muda-se de autocarro, hostel, cidade, regiao e avista-se sempre alguma cara conhecida, daqui, dali, hmmm de onde será?
Rio Mayo, nao indicada nos tais guias, no meio do nada, levou-me à custa de um problema mecânico do bus, a retroceder no tempo, até à minha infância no meio de nada, mas desta vez em Portugal.
Pequena, nao hà bares, discotecas, muito menos concertos mas existe aquela pacatez de quem nao sabe que nada sabe e se sabe, sabe sobre vidas alheias mas, de vez em quando, uma vida assim nao faz mal a ninguém.
Maratonas de jogos de berlinde em ruas e pátios nao pavimentados, seguidas de horas e horas de "jogar à bola" em terrenos a necessitar de tanques todo terreno, seguido de horas e horas de convívio nocturno na praça central onde a música é servida por essas inimitáveis, e pensava eu desaparecidas, orquestras de grilos e cigarras...

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