quarta-feira, 28 de maio de 2008

Queenstown

E pena que esta cidade se tenha desenvolvido assim.
Resort Town.
Esqui no Inverno em tres estancias a menos de uma hora de distancia.
Actividades aquaticas no lago de 80 kilometros no Verao.
Capital mundial de actividades radicais o ano todo.
Ha uns anos, por acaso, vi umas imagens de Queenstown num fotolog e durante uns meses a minha droga foi procurar mais imagens de um local maravilhoso.
E a cidade situa-se de facto num local maravilhoso e quase inigualavel, mas a cidade esta infectada por um cheiro a dinheiro que polui o ar e obriga a seguir caminho rapidamente.

Arrowtown

Apenas a 20 km de Queenstown mas um mundo a parte.
Pequena vila cujo centro mantem-se quase inalterado desde a sua criacao em meados do sec. XIX.
Motivo da sua criacao:
pepitas de ouro no rio Arrow. Imensas.
Linda, linda, linda.
Cercada por montanhas, recebe pouco sol, mas nas suas cercanias, lindos bosques adoptam lindas cores no Outono, e e, precisamente pelas suas cores que Arrowtown e conhecida.
Neste momento as montanhas ja estao carregadas de neve, e as zonas que nao fogem a sombra tambem ja estao pintadas de neve, devido ao gelo, entao, no mesmo instante, o nosso olhar capta branco, verde, amarelo, castanho, vermelho, azul e ate cor de rosa.
Um dos meus maiores prazeres e caminhar por um bosque escuro, carregado daquele aroma a terra molhada e ouvir apenas o chilrear dos passaros e a corrente dos rios.
Em Portugal e raro ter esse privilegio, mas em Arrowtown embrenho-me ate me perder.
Nas montanhas existe uma cidade fantasma, Macetown, inabitada a quase cem anos mas foi sendo recuperada e e agora um museu ao ar livre.
Contudo, para la se chegar ou se percorre uma estrada, num 4x4 ou a pe (molhando-se os pes vinte vezes nas mesmas tantas travessias de rio), ou um caminho pelas montanhas acima.
Como neste caminho mal cabe uma pessoa e o topo esta coberto de gelo ou neve, o risco de nao estar aqui a escrever era elevado e entao, o desejo de voltar a ver a minha maezinha falou alto de mais.
A meio do caminho, sentado a 700 metros de altitude, olhando montanhas e mais montanhas, ouvindo silencio e mais silencio (nem o som do vento),so penso nessa boom town isoladissima e nas duras, mas fascinantes, vidas dos seus antigos habitantes.
Enquanto caminho, fascinado por Macetown, descubro um novo prazer.
Acariciar o meu longo e farfalhudo bigode, esbranquicado pelo gelo e humedecido pelo orvalho matinal.
Acariciar

WA-NA-KA

Para se chegar a Wanaka percorre-se a menos bonita das tres passagens rodoviarias pelos Alpes, a Haast Pass.
Meu Deus, se e a menos bonita nem quero imaginar a Arthus Pass, a mais fantastica.
Gradualmente, vamos entrando num vale cercado por enormes montanhas de picos nevados e florestas mascaradas de arco-iris. De vez em quando, as florestas dao lugar a campos de pasto e entao ve-se as mais fantasticas casas. Isoladissimas.
De repente o que aparece sob o nosso campo de visao?
O ha muito desejado Lago WANAKA, um enorme lago de origem glaciar, cercado por montanhas nevadas e com diversos bosques de diversas cores nas suas margens.
Das visoes mais extraordinarias da minha vida, ultrapassa o esperado, atinge a perfeicao.
Quero viver.
Envelhecer.
Morrer.
Aqui.

Glaciares

Separadas por cerca de 30 km, as vilas de Franz Josef e Fox vivem exclusivamente para o turismo pois nas proximidades da vila encontram-se os glaciares com o respectivo nome.
Sao dos unicos do mundo a atingir o nivel do mar e sao dos poucos do mundo que ainda registam avancos.
Franz Josef e maior, com mais habitantes, mais servicos, mais actividades, e contudo, Fox e mais bonita, situada numa longa planicie com os Alpes imediatamente por tras. O Fox Glaciar e mais brutal, mais intimidante, permite um acesso mais proximo ao seu gelo e o vale por si criado e de um gigantismo incrivel.
Percorrer a pe, a distancia entre a vila e o glaciar, e de repente, passar dos espacos fechados da floresta para um enorme espaco aberto, com gigantescos desfiladeiros, 100% de declive, em cada lado, e, um grande, enorme, gigantesco pedaco de gelo a nossa frente, coloca-nos no sitio e aprende-se outra licao de humildade.
Para alem disso, a 6km da vila situa-se um lago famoso por permitir o reflexo do Mte Cook, e seus irmaos, nas suas aguas.
Contudo, as dezenas de voos diarios de avioes e helicopteros que prometem as mais variadas actividades de adrenalina impedem as mais variadas oportunidades de tranquilidade, reflexao e paz que a zona possibilita.

West Coast

Da ilha sul e delimitada pelo gigantesco parque nacional Kahurangi a norte, pelo parque nacional Mte Aspiring a sul, o mar da tasmania a oeste e os alpes do sul a este.
Existem quatro estradas que ligam a costa oeste ao resto da ilha. Uma dita normal que percorre paralela ao rio Buller e liga Nelson a Westport, e as outras tres sao passagens montanhosas. Para cerca de 600 kilometros nao sao muitas.
Se as distancias, juntarmos o, comum, tempo rude e sombrio, propicio a personalidades sombrias e deprimidas, obvio a minha surpresa ao encontrar optimo tempo, pessoas extremamente simpaticas, prontas a ajudar, a informar, a explicar como se joga Croquet, nao Cricket, mas Croquet(aquele que a rainha jogava no Alice no Pais das Maravilhas) e dar uma palavrinha ou duas.
Todos os aglomerados habitacionais desta regiao tiveram o ouro como razao de criacao, entre 1860 e 1900. Umas onde viviam os gold seekers, outras para servirem de posto de comercio e ainda outras para servirem de porto de exportacao e importacao.
Entre Nelson e Westport percorre-se uma estrada paralela ao rio Buller, num desfiladeiro tao apertado que ao chegar aos espacos amplos de Westport senti uma horrivel sensacao de claustrofobia, o qual, rico em ouro, provocou a criacao de varias Boom Town, adoro esta palavra, repitam comigo, Boom Town, entre elas Lylleston, cidade relampago que nos seus tempos aureos, final do sec. XIX, chegou a ter cerca de cinco hoteis, dois bancos, posto de correio e ,mais ou menos, cerca de 15 mil pessoas nas suas cercanias.
Hoje, o que resta? Nada. Apenas tres cemiterios engolidos pela vegetacao.
As mais interessantes das boom towns, que hoje sobrevivem a custa da criacao de gado, nao se encontram ao longo da estrada principal, pela qual transitam as companhias de autocarros, logo a maior parte das pessoas nao as visitam.
Westport nao tem nada de interessante.
Greymouth e a capital da west coast, com cerca de 10 mil habitantes, tem o mar da
Tasmania colado a si e e o destino final do Tranzscenic, uma das mais fantasticas viagens de comboio do mundo, que liga esta cidade a cidade de Christchurch na costa este, passando pela Arthurs Pass nos Southern Alps.
A estrada que liga Greymouth aos glaciares e bonita, entre os Alpes e o mar da Tasmania, quase sempre podendo ver-se os dois.

domingo, 18 de maio de 2008

Abel Tasman Track

Depois de ter perdido o mini-autocarro que me levaria ate a regiao Nelsons Lakes, decidi a ultima hora percorrer a Abel Tasman Coastal Track, uma das dez Grandes Caminhadas da Nova Zelandia, no parque nacional Abel Tasman, situado a cerca de 200 km a oeste de Picton.
Esta regiao e a que recebe mais horas de sol do pais e a um mes do Inverno ando descontraidamente de t-shirt :).
A caminhada dura entre 2 a 5 dias e tanto percorre florestas cerradas como tambem praias desertas em idilicas baias de aguas turquesa.
Durante o trajecto e necessario ter em conta o horario das mares baixas de forma a poder passar duas baias.
Que maravilha percorrer essas duas baias a pe.
Tirar as botas e as meias, puxar as calcas para cima, passar algumas lagoas, parar a meio, olhar para a grandiosidade em redor e entao pensar no que fiz para merecer tamanho privilegio.
A primeira cabana, Awaroa Hut, esta a minha frente, nao tem electricidade nem meios para cozinhar, a agua nao e potavel, um exercito de mosquitos da areia suga-me o precioso sangue, nao se ve uma unica nuvem no ceu, o unico ruido e provocado pelo canto dos passaros e o percorrer da agua, o sol poe-se atras de enormes colinas, um leve aroma a floresta percorre-me as vias nasais e, nem o facto de passar a noite a cerca de 30 km da vila mais proxima com sete jovens senhoras, me retira a tranquilidade e paz.
Coloco o chapeu a Huckleberry Finn, deito-me na areia junto ao mar e deixo o silencio da noite sussurar-me a sua cancao de embalar.
O segundo dia esperava 20km de caminhada, por isso ecoava apreensao no ar mas, embora ao inicio da noite mal pudesse andar, correu tudo bem.
Esta parte do percurso, entre Awaroa e Anchorage e a mais bonita e espectacular do percurso.
Embrenho-me em florestas cerradas onde reina o silencio absoluto e uma escuridao intimidante e imagino-me a fugir, numa daquelas selvas tropicais colombianas, de um grupo de desdentados, tatuados e extremamente enervados narco-traficantes em busca de uma esmeralda perdida que, de certeza, nao encontrarao em mim.
Enquanto, passo por piscinas naturais ao som de simpaticos passaros, vislumbro rios entre lianas e cogumelos, respiro aquele suave aroma a floresta humida, atravesso pontes moveis a Indiana Jones, e ouco vozes a aproximarem-se uns metros atras, penso mesmo nesta hipotese e acelero entao o passo.
Acelero, ate me deparar com uma praia de areias finas e suaves, aguas turquesas e com vista para belas ilhas inabitadas e penso entao que, afinal, a esmeralda procurada era apenas esta praia paradisiaca que tenho so para mim.
Esta combinacao floresta negra/ paradisiacas praias ocorre imensas vezes e cada praia e mais recondita que a anterior, sendo varias delas apenas acessiveis por barco ou kayak.
A segunda noite e passada numa cabana a dez metros de uma praia assim, na baia de Anchorage, e deitado na areia, debaixo de uma lua quase cheia que tudo ilumina, adormeco, mais uma vez, embalado pelas cantigas da PachaMama ou Mae Natureza.
O terceiro dia, so exigia os dez km finais, logo, foi preenchido com banhos de sol, ja que os da agua nao sao recomendados para constipados em recuperacao, devido a baixa temperatura da agua.
Ao fim do dia, enquanto o autocarro, de regresso a civilizacao, percorre bosques amarelos e vermelhos e o ceu mais parece um arco-iris, concluo que, estes 3 dias foram um dos maiores feitos da minha vida.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Fotos

Todas as fotos tiradas por mim na Nova Zelandia estao ali ao lado no respectivo link.
Fiz o download de todas elas sem censura de nenhuma e nao lhes pus subtitulos senao ficava aqui o dia inteiro. Mas aos poucos vou pondo-lhes a indicacao de onde foram tiradas.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Ferry

Para se chegar a ilha Sul ou se apanha um aviao ou entao apanha-se um ferry na capital do pais, Wellington, situada no extremo sul da ilha Norte.
Foi a mais longa viagem de barco que ja fiz. 90 km percorridos em cerca de 3 horas.
Se, a meio da baia onde se situa Wellington, a paisagem ja e deslumbrante com a visao do azul infinito no horizonte e enormes e verdes colinas em ambos os lados, o que dizer de quando nos encontramos em pleno Estreito de Cook, e apenas mar e mais mar nos cerca?
A sensacao de liberdade, durante a viagem na proa do barco, e fenomenal e de tal modo viciante quem nem por um momento te lembras que existe a proteccao do interior do barco, e, se, a ondulacao do ferry, a agua que nos molha e o vento que despenteia o cabelo ocorrem em excesso, mais nao fazem do que acentuar essa liberdade na claustrofobia do ferry.
Na ultima hora, entra-se nos fantasticos Malbourough Sounds, uma especie de fiordes mas cuja causa e diferente.
Uma casa aqui, uma casa acola, isoladas de tudo e todos, menos da agua, seu unico meio de acesso.
Coloco-me na cabeca dos marinheiros dos sec. XVI\II\III, quando avistavam novos mundos e como eles, deixo-me maravilhar e surpreender com novas formas da terra, desconhecidas aves que competem, e ultrapassam, com o barco e uma nova civilizacao, Picton, pronta a ser descoberta ao cair da noite.

Napier

A sul de Gisborne, e considerada, juntamente com Miami Beach, a capital da arquitectura Art DECO. E porque?
Porque em 1931, um terramoto de grau 7.9 na escala de Richter arrasou a cidade e, na sua reconstrucao, adoptaram o estilo arquitectonico da epoca, caracterizado "pela adopcao de linhas modernas, a glorificar o progresso e as maquinas".
A cidade possui uma rua pedonal no seu centro com apenas edificios Art Deco e ao passear pela rua fora reconheco as formas vistas imensas vezes em imensos filmes americanos mas que, contudo, a nada associava.
Esse centro e de facto um lugar especial, embora parte da sua magia seja um pouco destruida pelas modernas lojas que incitam ao consumo, logo, atraindo demasiadas pessoas e logo, demasiada agitacao, a uma zona que deveria ser apenas habitacional de forma a preservar o seu caracter original.
Esse terramoto foi de tal forma potente que uma das praias da cidade elevou-se dois metros, funcionando, hoje em dia, como uma especie de barreira contra o avanco do mar.
Alguma vez viram o nascer do sol no mar? Eu tambem nao ate agora. Prefiro o por do sol no mar. As cores tem mais forca e o momento encanto.


A cidade mais interessante ate agora visitada.

domingo, 11 de maio de 2008

Gisborne

Uma desinteressante cidade na costa leste, que, pelos vistos, poucas pessoas visita, exceptuando surfistas que vem para aproveitar uma das melhores ondas do pais.
E realmente a cidade nao oferece nada de interessante, se, nao fosse a primeira cidade do mundo a ver o novo dia, facto que nao foi nada de interessante pois imensas nuvens impediam de distinguir a noite do dia.
E foi tambem aqui que o Capitao Cook viu, e onde ancorou, as terras da Nova Zelandia pela primeira vez.
A cidade esta situada numa enorme baia cujo nome, Baia da Pobreza, resultou do facto do Cook enquanto aqui esteve ancorado, nao ter recolhido nada para o seu navio.
E que mais?
Presumo que nao queiram saber como e um hostel so para surfistas, mas ficam a saber que tem baratas, e a primeira visao de uma maca, a fruta pois o teclado anglo-saxonico impede-me de escrever certas palavras em bom portugues, a servir de meio de consumo de substancias ilicitas.

Thames

Pequena cidade a este de Auckland, que serve apenas como ponto de acesso a outras paragens mais interessantes.
Unico motivo de interesse e a existencia de um museu que possui nas suas profundezas, uma antiga mina de ouro, mas que, por ser Sabado, e aqui tudo para ao fim de semana, fiquei impossibilitado de ver.
Em troca, tive a oportunidade de assistir a um dos mais fantasticos arco-iris da minha vida. Gigantesco, com todas as cores bem definidas e muito bem carregadas.
Porque parei em Whangarei e Thames?
.porque jet-lag da as voltas ao corpo e necessito de descansar.
.porque estou engripado e preciso de repousar.
.porque sao nestas pequenas vilas e cidades que se realmente observa a cultura e os habitos dos povos.

Whangarei

Pronuncia-se Fangarei e e uma pequena cidade que pode servir como ponto de acesso a Bay of Islands, um extraordinario local para a pratica de todos os desportos aquaticos, principalmente mergulho.
A cidade em si e absolutamente desinteressante, quase todas as cidades do pais o sao, servindo apenas como ponto de acesso as numerosas e extraordinarias paisagens em seu redor.

Cape Reinga

Neste local existe um pequeno e branco farol que sinaliza o ponto mais a norte do pais.
Aqui, pode-se observar o choque entre o mar da Tasmania e o Oceano Pacifico, e a verdade e que esperava uma demonstracao mais imponente do confronto, embora se possa ver a agitacao das aguas no local do encontro.
Na parte oeste da peninsula, situa-se a 90 Mile Beach, que e uma coisa imensa e a vista perde-se pelo caminho.
E embora se possa percorre-la de carro, e necessario conhecer os horarios das mares, pois no caso de ser hora da mare alta, esta sobe muito rapidamente e impossibilita os carros de sairem por uma das 4 ou 5 saidas da praia.

A terra do norte

A estrada para o extremo norte da ilha do Norte percorre espacos verdes sem fim, subindo e descendo as infinitas colinas que vao aparecendo e planicies sao quase inexistentes.
Para se ter uma ideia, basta ver a aldeia dos hobbits no filme do Senhor dos Aneis.
Ovelhas.
Embora existam quatro delas para cada humano neste pais, sao largamente ultrapassadas, nesta regiao, por grandes vacas.
Kaitaia, serve como principal entreposto comercial do extremo norte e como ponto de acesso ao Cabo Reinga, local onde as almas se despedem na mitologia Maori, e a praia das 90 milhas, embora, pelos vistos, so tenha 68.
Muito tranquila, com uma rua principal onde esta o comercio situado e as ruas paralelas habitacionais.
Aqui, as pessoas sao exageradamente grandes, se chamo gordas ainda insulto alguem, talvez por comerem demasiadas vacas.
Exceptuando o Verao, e tudo relacionado com comida, la esta, o comercio fecha as 17h e a cidade espera entao, pelo dia seguinte.
A maior parte dos 14% da populacao neozelandesa maori vive na Ilha Norte e grande percentagem desta, vive nesta regiao, ultrapassando ate, a populacao "branca".
Comprar cenouras ao lado de um gajo enorme com a cara totalmente tatuada seria uma experiencia intimidante em qualquer pais, mas aqui, os maori veem as tatuagens como sinal de importancia e status dentro da comunidade.

sábado, 10 de maio de 2008

Nova Zelandia

Kia ora!
Aqui estou eu no outro lado do mundo e apesar de alguns contratempos, o pais ainda e mais fantastico do que eu imaginava. :)
A viagem de aviao entre Santiago e Auckland demorou mais seis horas do que o previsto, primeiro porque um elemento da tripulacao sentiu-se mal e tivemos que regressar ao aeroporto de Santiago, depois, porque um dos passageiros teve que ser imediatamente transportado para um hospital, tendo o aviao entao feito um desvio ate a ilha da Pascoa.
Em vez de chegar as 04h cheguei as 10h. Nao foi mau. :).
O facto da Nova Zelandia ser uma ilha e possuir um ecossistema unico, obriga os elementos da imigracao a adoptar medidas extremamente rigorosas na analise e revista das pessoas que entram no pais.
Depois de duas horas passadas numa minuscula sala a responder as mais variadas perguntas pessoais, a revistarem-me a mochila a procura de algo que pudesse causar danos ao pais e a terem encontrado vestigios de TNT no fundo dela, pensei logo, bem a Nova Zelandia vai continuar a ser apenas um sonho...
Felizmente, quem me revistou, vai a Portugal em Setembro e entao estava mais interessado nas ondas do nosso pais do que no perigo deste chico fininho.
A primeira impressao que o pais me causou foi:
regressei a Dinamarca? ruas e mais ruas preenchidas por belas vivendas, construidas em plena comunhao com a extensa e verdejante vegetacao.
Segunda impressao:
estou na Asia? da a sensacao de que, quem e imigrante neste pais sao os euro-descendentes tao numerosa e a populacao proveniente do este asiatico.
Terceira impressao ainda:
Como e que o povo que primeiro colonizou o pais, os Maori, foram derrotados pelos europeus? Fisicamente, sao autenticas maquinas de guerra, quase todos acima dos 185cm e peso superior a 80/90 kgs.
Depois de no hostel me terem retirado um quarto meio guardado quando ja so pensava em dormir la tive que procurar outro e la o encontrei no chamado red light street da cidade mas que, de vermelho, so as tatuagens dos maori.
Auckland e linda, linda, linda.
Situada num isthmu, coisa que nem sabia o que era, o centro, a baixa, e constituida por gigantescos e modernos edificios, junto a uma das marinas da cidade, a usada durante a America's Cup.
Pela cidade encontram-se varias colinas, onde se veem vacas a pastar, antigos vulcoes ha muito extintos, e delas tem-se uma vista panoramica da cidade e das suas marinas.
A cidade, embora so tendo 1\15 da populacao da Grande Londres,ocupa, no entanto, mais km quadrados, pois os seus bairros sao constituidos por vivendas e raros sao os edificios com mais de dois andares.
As pessoas sao simpaticas, tudo esta muito bem organizado e a industria do turismo e uma coisa incrivel de tao variada e gigantesca.
Atravessar uma passadeira aquando do sinal verde e uma experiencia unica pois dezenas de pessoas esperam, de ambos os lados, por esse mesmo sinal, e, entretanto, limitam-se a olhar para os elementos da faixa contraria. Quando o sinal permite a passagem, pois raros sao aqueles que atravessam a estrada sem permissao do sinal, e a agitacao e o caos.

sábado, 3 de maio de 2008

Santiago do Chile

Linda cidade a meio caminho entre os Andes, visíveis em dia de inexistência de fog ou durante o entardecer (momento em que adquirem uma cor marciana), e o Pacífico.
Imensos parques, imensas praças, bom tempo, ruas pedonais, um rio a dividir a cidade em duas, pequenas colinas aqui e ali, bairros habitacionais tranquilos e até os seus numerosos, e modernos, prédios gigantescos a tornam ainda mais cativante.
Dizem que o Chile é o país mais europeus da América Latina e,se nas outras cidades chilenas esse facto nao é tao visível,em Santiago isso sente-se por todo o lado, pois enquanto percorro as suas ruas, as pessoas respiram confiança e esperança no futuro, nota-se alegria nas avenidas, as lojas estao cheias de consumidores, e também,existe mais organizaçao.
O Chile foi uma boa surpresa pois era, apenas, o país longuíssimo e de pouca largura ao lado da Argentina mas possui fantásticas paisagens, bonitas cidades e simpáticas pessoas.
Infelizmente, só tenho um dia para Santiago, embora me apeteça quedar mais três ou quatro, mas é a cidade perfeita para me despedir da América do Sul.

Valparaíso

Após treze horas de espera e viagem lá cheguei a esta cidade chilena a 120 km a norte de Santiago.
Porque cá vim?
Porque me disseram que era bonita, tanto que Pablo Neruda tinha aqui a favorita das suas três casas(obviamente encerrada no dia dos Trabalhadores), mas, principalmente, porque me permitiria ver,cheirar,tocar e sentir um dos locais que mais fascínio exerciam sobre a minha imaginaçao desde criança.
O Oceano Pacífico.
O que vejo é igual ao que beija as nossas costas, exceptuando os pelicanos que descansam na praia, o que cheiro também, o que toco mais igual era impossível mas o que sinto, obviamente, é diferente.
Revejo-me na figura do meu pai quando, já adolescente, viu o Atlântico pela primeira vez.
Algo de novo.
O azul infinito, o quebrar das ondas e a tranquilidade do mar.
Valparaíso consegue algo que em Portugal é de todo impensável.
Ao percorrer as suas ruas, transporto-me, simultaneamente, quer para Lisboa, quer para o Porto.
Lisboa, pela zona da baixa e as praias na sua extremidade, e o Porto, pela zona velha da Ribeira a subir a colina desde o Douro.
Esta cidade foi construída sob dezenas de colinas, sendo esta zona a parte antiga da cidade, cada uma sobrelotada com casas, há muito a morrer de velhice, de várias cores, tamanhos e feitios, mas, quase todas, com maravilhosos terraços, grandes janelas ou mini-jardins que convidam a eternas socializaçoes com amigos e vizinhos.
Cada colina possui o seu velho ascensor e o seu miradouro, onde se pode, descontraidamente, observar a azáfama da cidade, a longa baía e o tranquilo oceano.
Contudo, a cidade tem esse grande senao, ou ainda maior vantagem:
.para subir à zona velha é necessário um elevado esforço físico tal é o ângulo de inclinaçao das suas ruas.
Quem tenha visto San Francisco, ao vivo ou na televisao, nao pode deixar de comparar as duas cidades exactamente por esta característica.
À noite, observar as colinas de um miradouro proporciona um divertido jogo ao mirar o constante on and off das incógnitas luzes caseiras, e imagino, ou recordo, o que fazem pessoas comuns na mais comum das noites.
Valparaíso possui uma atmosfera especial, boémia, intelectual e artística, quer pela sua longa história, quer também, pelas dezenas de bares e cafés onde se juntam músico, poetas, escritores, artistas, wanna be´s e posers, e pessoas como vocês e eu que sonham com outras vidas em outros tempos.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A estrada

Que nos leva de Mendoza para o Chile é uma estrada formidável e que permitiu esquecer o que seria uma normal ameaça de bomba, no terminal de bus, senao tivessem encontrado mesmo uma e também esquecer mais um dia passado em Mendoza.
A estrada vai percorrendo a planície pré-andina enquanto vislumbra o início exuberante da cordilheira.
Entre as montanhas, o Homem encontrou um caminho de ligaçao ao Oceano por um enorme vale, com um rio de àguas acastanhadas a percorrer-lhe pelo centro.
Se o ínicio é extraordinário que qualificaçoes evocar à medida que nos embrenhamos nos andes?
Após um nevao é um lugar mágico e intenso.
Após a Quebrada de Humahuaca pensava que tinha sentido o máximo de pequenez possível, mas, nas últimas horas em solo argentino, o que me envolve é a sensaçao de inexistência em absoluto.
Montanhas e vales cobertos por um enorme manto de neve que tornava difícil o correcto uso da visao tal a quantidade de luz.
A minha mae designa de "putos mimados sem nada para fazer" e inconscientes, aqueles que tentam subir montanhas acima até ao extremo superior.
Enquanto vislumbro, do seguro assento do autocarro, os picos nevados centenas de metros acima, chamo de "putos mimados com demasiado para fazer" e insensíveis, aqueles que perante a grandiosidade, nao se deixam encantar e nao a tentam alcançar.
O posto fronteiriço, ultrapassado após uma longuíssima espera tal era a quantidade de coches,bus e camiones ansiosos por evitar outro nevao que aí vinha, está completamente perdido no meio dos Andes e, presumo, deve ser o posto com maior quantidade de poetas por metro quadrado do mundo, tal a visao que se lhes depara desde que abrem as cortinas de manha até ao momento em que trancam as portas à noite.
Los Libertadores.