segunda-feira, 30 de junho de 2008

Hamilton

A terceira maior cidade do pais mas que mais parece uma vila do interior tal a escassez de movimento nas ruas.
Ficara para sempre como a cidade onde, aos 27 anos, recusaram vender-me cerveja por nao possuir provas de maioridade.

Lake Taupo

O maior lago do pais e com um tamanho tal que Singapura la caberia.
A maior cidade da regiao e Taupo, situada nas margens do lago e funciona como base as estancias de esqui da regiao e a actividades no lago.
Nesta regiao existe uma intensa actividade geotermica, resultando dai varios riachos de agua quente.
Nunca tinha visto algo assim, a agua estava bem quente mas como me esqueci da toalha nao aproveitei dos seus beneficios.
Tem vistas formidaveis do lago em frente e das montanhas por tras.
Uma das montanhas foi a utilizada como Monte Doom no Senhor dos Aneis e e imponente.

National Park Village

Um dos locais onde se pode pernoitar para se percorrer a Tongariro Crossing, considerada uma das melhores caminhadas de um dia do planeta, ou esquiar nas maiores estancias de ski do pais,
Cheguei uma semana atrasado, pois ha uma semana que chegou o Inverno e o mau tempo.
Nao existe nada na aldeia, so me resta deambular pelos bosques.
Deambulo entao e ao fim de umas horas, encontro um espaco perdido para comer.
Procuro umas folhas e encontro varias pertencentes a varias ferns.
Sento-me em cima delas.
A chuva cai, mas nao me importo.
O Tempo passa mas nao me importo.
Uma imensa floresta, verde ate a visao se tornar inutil, e silencio apenas quebrado pelo continuo rugido de uma queda de agua no primor da vida.
Descanso, como e observo.
De repente, um barulho.
Olho em redor e vejo-o por umas centesimas de segundo.
Foi o Tempo que passou por mim.
Pego no saco, levanto-me e sigo-o com urgencia.
Esta escuro.
As nuvens enegrecem o dia e o denso aglomerado de arvores intensificam a festa.
Uma onda de excitacao percorre-me o corpo e voo endiabrado.
Ouco algo.
Algo se move.
Luz.
Aproximo-me.
E uma linda lagoa.
Aproximo-me.
Ajoelho-me.
Mergulho as maos no seu ventre.
Quente nao esta, certamente.
Fecho os olhos.
Acaricio o seu corpo com os meus labios.
Pouso a minha cabeca no seu colo.
Apercebo-me.
Abro os olhos.
RAAAAAAAAAAGHHHHHHHHHHHHHH.
Grito, enraivecido.
E uma das armadilhas do Tempo.
Ouco um riso. Olho em redor. E ele e esta a olhar para mim.
Tenho que o apanhar.
Tenho que o parar.
Levanto-me desesperado e corro na sua direccao.
Desaparece de novo.
Procuro-o desenfreadamente mas ja nao o encontro.
Atinjo a estrada.
Estou cansado.
Esta a nevar.
Tiro os casacos, a sweat e a t-shirt, as calcas, cuecas e meias.
Estou no meu mundo.
Mais nada importa.
A neve cai.
Ouco-a, vejo-a, cheiro-a, engulo-a.
Sento-me.
Sinto-a.
Nao encontrei o Tempo.
Mas ja nao me atormento.

New Plymouth

Situada na extremidade oeste da ilha Norte, e visitada sobretudo por causa do lindo Monte Taranaki, com o seu cone perfeito, muitas vezes comparada ao Monte Fuji no Japao.
Como o Inverno chegou finalmente, nao so nao e aconselhavel caminhar pela montanha, como nem sequer a consigo visualizar desde a cidade.
Contudo, uma noite partilhada com um checo, um japones e um chines, cada qual com o seu ingles indecifravel, trouxe momentos de incomparavel comedia e momentos para recordar e fez esquecer essa infelicidade.

Wellington

Com enormes e modernos predios na baixa junto as aguas do porto e do estreito de Cook e com os suburbios habitacionais espalhados pelas diversas colinas circundantes, a capital do pais merecia mais do que as duas noites que la passei mas o tempo ja escasseava e o estado do tempo tambem nao era convidativo.
Nunca tinha passado um dia inteiro num museu, mas la passei em Wellington, no Museu Nacional Te Papa, um gigantesco e ultra moderno museu, com um andar sobre os maoris que me captivou deveras.

Kaikoura

Uma vila perdida entre paisagens unicas.
Beijada pelo mar e, com montanhas inacreditavelmente proximas do Oceano, ja bem cobertas de neve.
Nas aguas do mar pode-se nadar entre golfinhos, focas e baleias e ver os fantasticos albatrozes a voar sobre nos.
A bela e o monstro.
A zona comercial da vila e horrivel e a zona habitacional linda, linda, linda, virada para uma baia e a respirar tranquilidade.
Apanho o shuttle-bus em direccao a Picton e em direccao ao ferry que parte em direccao a Wellington, e, desta vez, nem a presenca de Fionna me tira do estado de tristeza em que me encontro.
Ao fim de seis semanas e a despedida da Ilha Sul.

domingo, 29 de junho de 2008

Christchurch

E capaz de ser a cidade mais interessante do pais.
E bonita, com varios lindos edificios da epoca vitoriana, incluindo um centro de artes onde artistas teem pequenos "gabinetes" onde compoem as suas obras que depois serao vendidas em lindas lojas situadas no mesmo centro, um parque de 200 hectares no centro da cidade e encontra-se a escassos minutos de lindas vilas costeiras.
Nesta cidade assisti a uma partida de rugby entre os famosos All Blacks, seleccao do pais, e a Inglaterra, e o que posso dizer e q e um jogo mais entusiasmante visto na tv.
Infelizmente, estava tao excitado a tirar fotografias aquando da Haka, a famosa danca maori realizada pelos jogadores neozelandeses no inicio de cada partida, que, quando parei, dei-me conta que a Haka tinha terminado.
Resultado?
Nao vi Haka nenhuma.
Nunca, mas nunca mesmo, escolham o hostel mais barato. Evitam encontrar instalacoes horriveis e sujas a moda medieval, com pessoas desagradaveis e possivelmente a horas ja nao aconselhaveis.
Contudo, se teem um anjo que ilumina o mais tenebroso dos infernos, ignorem os meus conselhos.
Fionna, o meu anjo de Te Anau, transformou um mau episodio no mais perfeito dos dias e a noite la passou mais rapido do que desejava.
Passadas umas noites em Arthur's Pass la regresso a Christchurch e me deparo, noutro hostel obviamente,novamente com o sorriso juvenil de Le Anje e reparo que estou na cidade perfeita para me converter a uma igreja de Cristo.
Na ultima noite, Le Anje faz-me companhia no quarto e, nunca, mas nunca mesmo, me irritou e desagradou tanto a tao proxima presenca de um especime assim.
Porque?
Porque no mesmo quarto encontrava-se Neta, uma lindissima e fascinante israelita, morena de olhos claros, saida ha poucos meses do servico militar do seu pais, onde foi treinada, com certeza, para ser uma nova Mata Hari, insensivel a coracoes inocentes, como o meu.
Longe de ser um anjo, hipnotizou-me completamente com o seu olhar misterioso e frio e as suas historias das suas viagens. Passadas e futuras.
Seria de esperar uma noite nas "minhas sete quintas".
Seria.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Arthurs Pass

Considerada a mais bonita das tres passagens rodoviarias que ligam a costa oeste a costa este e pela qual passa o Tranzscenic, considerada uma das viagens de comboio mais lindas do planeta, esta passagem alpina proporciona fantasticas paisagens enquanto se vai atravessando vales e mais vales, contudo, como nao tem nevado e as montanhas de palidas nao teem nada, penso que e mais uma extraordinaria campanha de marketing dos responsaveis pelo turismo do pais.
Assim, ainda bem que decidi percorrer este percurso num dos shuttle-bus e deixar a alcunha de "idiotas ah ah" para os outros turistas pois a viagem e sobretudo para visitantes, inocentes.
Arthurs Pass Village possui uma duzia de casas, um bar, dois restaurantes, dois ou tres hostel,motel,hotel, um semi mini-mercado e varias caminhadas pelas florestas e montanhas em redor.
Paraiso.
Contudo em altura de Euro, isolamento e descontracao nao veem a calhar e sigo entao para o frenezim de Christchurch, a terceira maior cidade do pais.

Lago Tekapo

Pequena vila situada numa das margens do Lago Tekapo e que, infelizmente, tem como unicas vistas esse mesmo lago de aguas turquesas e montanhas nevadas que provocam um angustiante desejo de saber o que se encontra para la dos seus picos e uma ainda mais angustiante nocao de que, tais visoes se encontram eternamente inalcancaveis ao nosso olhar.

Monte Cook

Situada num enorme vale, ladeada por montanhas, e habitada por cerca de 150 pessoas no Inverno e cerca do dobro no Verao, que, ou trabalham para o departamento de conservacao ou no hostel,motel,hotel.
Existem diversos percursos para se caminhar e todos nos levam a incriveis vistas de montanhas, vales e montanhas, glaciares vales e montanhas, rios e glaciares.......
A aldeia situa-se o mais perto possivel do Monte Cook, a maior montanha do pais com cerca de 3700 metros.
O silencio no vale e apenas interrompido pelos raros carros que se aproximam da aldeia, pelo incessante cair da chuva e pelas estrondosas quedas de gelo dos glaciares em redor.
Uma caminha de 3h leva-nos a outro vale, a outro mundo, onde convivem um glaciar e respectivo lago com as montanhas e respectivos glaciares.
O perigo de avalanches e evidente e, junto ao lago, luto contra ventos supersonicos completamente encharcado por causa de um diluvio que teima em nao parar.
Paro.
Olho em redor.
A desolacao selvagem absorve-me.
Uma excitacao desconhecida, uma excitacao maravilhosa, uma sensacao insuportavel.
Olho uma ultima vez para o glaciar directamente em frente, que teima em nao cair, e regresso a seguranca e conforto do hostel.
O vento uiva la fora.
Estou cercado por cinco muros.
Encolhem.
Desespero.
Enlouqueco.
Quero sair.
Quero sentir.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Dunedin

Edimburgo em Gaelico, e uma cidade bonita, a segunda maior da ilha sul com cerca de 130 mil habitantes, situada a entrada da Peninsula de Otago e espalhada pelas diversas colinas verdejantes da zona, o que a torna uma boa cidade para se por em forma enquanto se passeia ou se vai para casa.
Possui a rua mais inclinada do planeta e a universidade mais antiga do pais.
Se a rua nao e nada de mais, a universidade, com 150 anos, e extremamente bonita, com um rio a dividi-la em duas partes, mistura os edificios originais com edificios modernos,possui zonas verdes para intensivos estudos ao sol e pubs nas redondezas para intensivos estudos a sombra.
Durante quinze minutos nevou bastante em Dunedin e, como adoro ver flocos de neve a cair e senti-los na pele, ja estao a ver o quao crianca me senti e, ai ai, como foi bom se-lo de novo.
A Otago Peninsula e extremamente rica em fauna, pois e ponto de passagem, descanso ou acasalamento para focas, leoes marinhos, pinguins azuis e pinguins de olhos amarelos e as mais diversas aves.
Uma destas captiva a minha imaginacao desde crianca.
O Albatroz.
Uns desenhos animados sobre aventuras maritimas, nos quais um dos barcos possuia um enorme albatroz martelado na proa e, ainda hoje me recordo dessa proa a desbravar o mar com o por do sol de perfil.
Nao me lembro do nome dos desenhos animados nem sequer da historia, apenas essa imagem do albatroz foi seleccionada pela memoria.
Na peninsula acasalam albatrozes reais, os maiores destes animais, com a largura de asas a atingir os tres metros e sao capazes de voar ate 1000 km por dia nos mares do sul.
Em tres horas de paciente espera apenas vi um, mas, durante trinta segundos, voou so para mim, tendo-se aproximado ate dois metros para me dizer ola e deixar-me maravilhado e fascinado com a sua grandiosidade e tamanho, ate que partiu para se juntar ao nada do infinito azul.
Ja nada mais interessava, logo, tambem eu parti, em direccao a pequena comunidade que serve como ultima paragem do autocarro, feliz da vida e, mais feliz fiquei quando me deparei com a tranquilidade e silencio dessa comunidade que, numa solarenga tarde outonal, e o perfeito exemplo do que deveria ser a minha vida.
A qualidade da minha vida.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Invercargill

A cidade mais austral da Nova Zelandia, onde so chove, assolada constantemente pelos roaring forties, ventos antarticos, o que a torna tambem, demasiado fria e escura.
O mais interessante da cidade e um gigantesco parque, o que permite imaginar o quao interessante devera ser Invercargill.
Contudo, tem algo que me fascina.
Um ambiente depressivo que me poderia levar a tresloucadas tentativas homicidas mas que, no entanto, me leva a tresloucadas assobiadelas de tranquilidade outonal.
Os raros viajantes que por aqui passam, passam em direccao a Stewart Island ou em direccao a regiao das Catlins, na costa sudeste da ilha sul.
O meu plano inicial era percorrer a Rakiura Track na tal ilha, uma das tais 10 Great Walks, e ver fauna e flora ja inexistente no resto do pais, mas o custo do ferry e demasiado elevado para tao curta viagem, logo, fica para outra vida.
Na Catlins pode-se ver tambem imensa fauna especial, como golfinhos, pinguins, leoes marinhos e penso que baleias tambem, mas, como ja tive o privilegio de os ver na Argentina, passo bem sem tal repeticao.
Como nao posso ir mais longe, e aqui que comeca a minha viagem de retorno a Portugal.
Em Invercargill.

Milford Sound

Considerada a oitava maravilha natural do mundo, e, apesar de magica e deslumbrante, um pouco sobrevalorizada.
Os barcos percorrem o fiord em cerca de hora e meia, duas horas, e levam-nos ate a sua entrada.
Durante o percurso pode-se avistar golfinhos, pinguins e leoes marinhos, contudo, so tive a sorte de ver uma jovem cria de leoes marinhos a tomar banhos de sol, deleitada numa rocha. Apos chuvadas, pode-se maravilhar com varias cascadas de dezenas de metros de altura.
A estrada ate ao Milford Sound e considerada uma das mais perigosas do mundo por causa do risco de avalanches e durante o caminho avistam-se varias montanhas ja prontas para se libertarem do peso da neve.
Contudo, a estrada e tambem maravilhosa ao passar por uma passagem alpina e entao so se avistam gloriosos desenhos naturais criados por alguem sobrenatural.
Vales formados pela passagem de glaciares e agora tapados por densa vegetacao e montanhas,cujos picos nevados tentamos ver dos assentos do autocarro.
O sudoeste do pais e deslumbrante e transforma o mais embrutecido dos pedreiros no mais sensivel dos poetas.
Felizmente, a maioria dos turistas e viajantes utiliza Queenstown como base de exploracao da regiao, o que me permite sentar num baloico colocado em frente ao hostel e a cinco metros das aguas do imenso lago e maravilhar-me entao com o silencio, o mesmo lago, as florestas e as montanhas.
Tranquilo, em paz e feliz.

Southland

Meus amigos, o sudoeste da Ilha Sul da Nova Zelandia e, a partir dos glaciares e do Mte Cook, Patrimonio Mundial e e divino, imperdivel e prova da existencia de algo superior.
Desde Franz Josef que vivo em permanente estado de extase e os meus sentidos, enebriados, pela infinita quantidade de estimulos.
Deus existe mas enganou-se no local onde colocou o paraiso.
Ou, provavelmente, fez de proposito, e, so anjos, como eu, teem mesmo acesso ao Pais de Deus.
Te Anau e a principal cidade, com tres mil habitantes, da Fiordland e e a cidade mais proxima de tres das dez Great Walks do pais.
Neste momento, as tres ja teem as suas passagens alpinas com varios centimetros de neve, logo, percorre-las nao se afigura tarefa facil.
A Milford Track e a caminhada de multi-dias mais famosa do mundo, mas e, tambem, extraordinariamente cara.
Decidi entao, percorrer a Kepler Track, a qual comeca logo a saida de Te Anau e percorre cerca de 60 km de florestas e passagens montanhosas.
No primeiro dia praticamente so se percorre densa floresta e uma passagem no topo das montanhas ate se chegar ao refugio a 1100 metros de altitude.
As ultimas tres horas sao sempre a subir e, embora possibilite ouvir o silencio absoluto e insuportavel, a dada altura ja so queria a chuva, o vento e o frio do topo.
A meia hora final na passagem alpina permite ver a grandiosidade da regiao e, nem ter neve ate aos joelhos retira encanto ao momento.
O primeiro dia da Kepler Track foi, fisicamente e mentalmente, o maior desafio da minha vida.
No chao do refugio Luxmore, tendo a visao de proximas e longinquas montanhas ja bem carregadas de neve, lagos de origem glaciar, florestas onde nao penetram nem som nem luz e desconhecidos vales eternamente inacessiveis a nossa estupidez, pergunto a mim mesmo se uma vida passada em silencio e isolado e uma vida desperdicada, e nao uma vida em pleno.
O que me apetece?
Apetece-me colocar uma camada extra de roupa de Inverno, comida para uma semana, saco cama e municoes para um ano na mochila, cacadeira no ombro e faca de mato na anca e desaparecer pelas montanhas e vales da Fiordland.
Nao concretizo este desejo porque?
Porque a civilizacao tem os seus encantos e no meu hostel dorme um anjo como a Fionna, suica, com pais de Nottingham e tia em Wellington, de maneiras arrapazadas perdoadas pelos seus enormes olhos azuis e labios finos e bem desenhados, inocente como os seus 18 anos indicam mas madura e independente o suficiente para viajar sozinha.